São Carlos, Segunda-Feira, 26 de Outubro de 2020

 

 

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Cenário propício à inovação

 
 
  Fonte: Agência Fapesp, 30/08/2007  
 
  Por Fábio de Castro  
 
  No Brasil, há uma excelente relação entre universidades e empresas - fundamental para gerar inovação tecnológica - e isso gera uma vantagem comparativa que atrai investimentos em pesquisa para o país. A análise foi feita por participantes do Simpósio USP Inovações em Saúde, encerrado na terça-feira (28/8) na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP).

“Isso pode surpreender algumas pessoas, mas o Brasil é um dos países com maior cooperação entre universidades e empresas em todo o mundo. Só que ela não é nomeada como política pública e por isso tem pouca visibilidade”, disse Evando Mirra, diretor da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), à Agência FAPESP.

De acordo com Mirra, a pesquisa tecnológica no Brasil dá ao país vantagens comparativas. “No nosso contato sistemático com empresas transnacionais, encontramos muitas manifestações de que o trunfo do país é a excelência da relação universidade-empresa”, disse.

A Petrobras, segundo Mirra, é um bom exemplo dessa interlocução. “A empresa só pôde virar potência mundial na exploração de petróleo em águas profundas porque se beneficiou da qualidade da pesquisa feita nas universidades”, apontou.

Os atrativos para as transnacionais que fazem pesquisa e desenvolvimento se manterem no país seriam a excelência dos recursos humanos e o grande esforço feito nos últimos anos em termos de qualidade. As redes formadas por empresas e universidades, segundo Mirra, favorecem a circulação de recursos humanos de qualidade, consolidando crescentemente a cultura da inovação.

“Um cenário de inovação está sendo montado. É preciso apenas continuar nesse caminho e amadurecer. Nosso gargalo está na questão do estabelecimento de protocolos de entendimento de interesse mútuo. Isso é algo que se ganha com maturidade”, afirmou.


Saúde mais bem equipada

A excelência dos recursos humanos em pesquisa no Brasil também foi destacada por Cláudia Goulart, gerente-geral da GE Healthcare para a América Latina. Segundo ela, a indústria internacional, de modo geral, vê o Brasil como um mercado promissor para a área de saúde, embora faltem incentivos.

Para Cláudia, a parceria entre poder público e indústria eletromédica poderia trazer muitos benefícios para a população do país, principalmente ao aumentar o acesso aos serviços de saúde e impulsionar o conhecimento científico.

“Mas o setor tem capacidade de investimentos no país estrangulada por um ambiente pouco amigável. Com isso, a indústria de equipamentos para serviços de saúde não consegue se instalar por aqui”, afirmou.

Segundo a executiva, um aparelho de raio X tem cerca de 50 mil peças, sendo 40% delas eletrônicas. Como o Brasil não produz esses componentes, para a instalação da indústria é preciso importá-los com alíquotas de 20%.

“São alíquotas superiores às de importação de jóias ou de papel para fabricação de cigarros, por exemplo. Isso é um sinal do pouco acolhimento à causa da saúde”, afirmou.

Todo volume de peças de reposição importado pela indústria eletromédica é tributado em 55%, segundo Cláudia. “Se essa tributação fosse zerada, o governo abriria mão de R$ 18 milhões, o que é um valor irrelevante. Mas, para o produtor, significa uma capacidade de investimentos que traria ao país, em um ano, 150 equipamentos de ressonância a mais, possibilitando 2 milhões de exames”, destacou.


Prioridade de investimento

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, ressaltou que saúde é a principal área apoiada pela Fundação, tendo recebido R$ 110 milhões em 2006. O volume de recursos corresponde a cerca de 20% do total investido pela FAPESP. Dos 11 Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids), cinco são da área. No programa Pipe, 10% dos investimentos são feitos em empresas da área. No Pite, a saúde corresponde a 12%.

“Esse maior investimento ocorre por diversas razões. Uma delas é que a área tem recursos humanos altamente qualificados. Outra razão é que pesquisas em saúde tendem a custar mais”, disse Brito Cruz.

Além disso, segundo Brito Cruz, houve mais interesse por parte dos pesquisadores qualificados em apresentar projetos em saúde. “Em algumas áreas eles se interessam menos, porque a FAPESP não pode pagar complementação salarial. Áreas como energia, por exemplo, às vezes preferem buscar recursos em instituições como a Petrobras.”


BNDES e capital semente

Pedro Palmeira, diretor do Departamento de Produtos Intermediários, Químicos e Farmacêuticos (Defarma) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), informou que o banco começará a investir em empresas de inovação em estágio inicial.

O BNDES aprovou a criação do Programa de Capital Semente (Criatec), com o objetivo de garantir suporte financeiro e gerencial adequado às micro e pequenas empresas inovadoras em estágio nascente.

“Temos o programa Profarma [Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Cadeia Produtiva Farmacêutica], que oferece financiamento para todas as fases do ciclo empresarial, exceto para o estágio de capital semente. Será aprovada ainda nesta semana a operacionalização do Criatec”, disse Palmeira. O Profarma investe em empresas em fases “start up”, inicial, emergente ou madura.

“Será fundamental incentivar as empresas que precisam de capital semente - isto é, que estão na fase em que um pesquisador tem uma idéia promissora com seus doutorandos e busca uma primeira injeção de recursos para iniciar a empresa”, disse.

Segundo Palmeira, o Criatec será um fundo de R$ 80 milhões, com previsão de apoio para 60 empresas com faturamento de no máximo R$ 6 milhões ao ano. Um mínimo de 25% do fundo será destinado às empresas com faturamento de até R$ 1,5 milhão.

 

 
 
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