São Carlos, Quinta-Feira, 29 de Outubro de 2020

 

 

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Indústria contrata poucos mestres e doutores

 
 
  Fonte: Jornal da Ciência E-mail, 03/08/2006  
 
  Marina Faleiros escreve para “O Estado de SP”  
 
  Para entrar no escritório de José Antonio Martins, só vestindo avental, protegendo o solado do sapato e os cabelos. Pesquisador e consultor da fabricante de medicamentos EMS Sigma-Pharma, ele faz parte de uma minoria de cientistas altamente qualificados na academia que estão atuando na indústria. Atrair gente como ele para pensar em projetos que possam virar produtos tem sido um dos desafios para as indústrias instaladas no Brasil que dependem de inovação.
"Somente 1% dos mestres e doutores brasileiros estão na indústria, segundo a última Pesquisa de Inovação Tecnológica do IBGE", diz Olívio Ávila, diretor-executivo da Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei).
"Na Coréia do Sul, este porcentual passa de 60%."
Martins, que tem pós-doutorado, explica a dificuldade:
"Quem pesquisava no Brasil pensando na indústria quase sempre era tachado de mercenário, o que criou duas frentes separadas de trabalho. Hoje isto está mudando, mas quem fica na vida acadêmica ainda tem pouca visão de mercado, de como criar algo que possa virar um produto final."
Com ele, são 200 pesquisadores atuando na EMS, que por causa disso consegue lançar uma média de três novos medicamentos por mês.
"Investir na nossa equipe interna e manter parcerias com universidades para nós é imprescindível, é condição para crescimento de mercado", diz Telma Salles, diretora de relações externas da EMS.
A empresa planeja investir R$ 180 milhões nos próximos três anos na área de pesquisa.
Na Suzano Petroquímica, o gerente de RH João Brillo diz que a busca de profissionais qualificados é reflexo da visão de mercado da empresa.
"Se queremos desenvolver processos inovadores e competitivos, dependemos disso. Por isso, estamos investindo neste ano US$ 25 milhões na criação de uma planta piloto para testes e contratações de pesquisadores", diz.
Entre as recém-chegadas na empresa está Selma Jaconis, que deixou um emprego público estável no Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de SP pelo desafio de atuar na indústria.
"O conhecimento de base que a indústria precisa está na universidade, e hoje está mais fácil trabalhar em parceria com a indústria, que possibilita maior crescimento e remuneração."
Para Odnei Fernandes, gerente-técnico de biotecnologia da Monsanto, a dinâmica do mercado privado é atrativa.
"Tenho que saber gerenciar todas as demandas, e a tecnologia amplia a visão do negócio, pois estudo como o meu projeto se insere no mercado, sua rentabilidade e toda a cadeia, não fico fechado em um tópico só."
Para concluir seu doutorado, ele conseguiu fechar um acordo com a Monsanto, que o liberava um dia por semana para os estudos.
"A empresa ganha duas vezes, com um especialista na área que precisa e um funcionário mais realizado, com energia para criar novos produtos", diz. Ele agora pretende cursar um MBA.
Segundo Ávila, da Anpei, até o governo já busca incentivar contratações de mestres e doutores, com a Lei 11.196, conhecida como a Lei do Bem.
"Um dos artigos prevê subsídio de 40% do salário de novos mestres e doutores contratados, mas até agora nenhuma empresa usou este benefício."

 

 
 
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