São Carlos, Segunda-Feira, 26 de Outubro de 2020

 

 

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Pensamento de risco

 
 
  Fonte: Agência Fapesp, 07/07/2005  
 
  Por Eduardo Geraque, da Agência Fapesp  
 
  De um lado um fundo importante de capital de risco com volumoso caixa e que está aceitando projetos científicos para financiar. Do outro existem milhares de pesquisadores com grandes idéias e projetos de pesquisa que podem ter um grande impacto no mercado globalizado. A partir desses dois pilares, em tese, fica fácil imaginar a construção de uma sólida ponte.
Mas, segundo o pesquisador Fernando Reinach, diretor da Votorantim Novos Negócios, presente ao Congresso Internacional de Nanotecnologia, que será encerrado nesta quinta-feira (7/7), em São Paulo, a obra do pontilhão ainda não está sólida. “Não se trata de ousadia nem de qualidade, muitas vezes falta ao pesquisador ter a real dimensão daquilo que ele acabou de descobrir”, disse à Agência FAPESP .
Para um fundo de alto risco - e isso é uma visão que muitas vezes não faz parte do universo acadêmico - o importante é correr altos riscos, por mais óbvio que isso possa parecer. Tanto no Brasil como nos Estados Unidos, é preciso abarcar idéias que realmente sejam revolucionárias. “Se o projeto em vez de uma revolução no mercado vai causar apenas um ganho incremental, ele não interessa”, afirma Reinach.
Para o executivo, nem sempre é obrigação do pesquisador ter essa visão de mercado, mas isso facilita na hora de convencer um potencial investidor. “É o autor da descoberta que poderá nos dizer se aquilo vai substituir algo ou ter um grande impacto no mercado”, disse.
Em se tratando de capital de risco, outra característica fundamental: todas as ações são feitas por meio de participação acionária naquelas empresas, normalmente pequenas e montadas para o único fim de desenvolver a tecnologia inovadora.
O exercício do pensamento de risco e o abandono da chamada visão clássica ainda precisam progredir mais no Brasil. Apenas em alguns casos raros isso já ocorre. O próprio Reinach lembrou, na palestra que fez no evento, de vários exemplos que mostram a importância do fortalecimento desse novo ponto de vista.
“A Warner, em 1927, anunciou que não acreditava no cinema falado. A DEC, empresa que fabricava computadores de grande porte, em 1977 declarou que ninguém iria querer ter computadores em casa”, contou. Todos sabem que o cinema falado e o computador pessoal se tornaram grandes negócios, especialmente aqueles que acreditaram nessas inovações tecnológicas.

 

 
 
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