São Carlos, Quinta-Feira, 29 de Outubro de 2020

 

 

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Inovação tem refluxo

 
 
  Fonte: Agência Fapesp, 05/07/2005  
 
  Por Eduardo Geraque  
 
  No Brasil, a taxa de inovação, segundo os dados da Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica (Pintec) 2003, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), teve uma pequena alta no triênio 2001-2003, em comparação com os três anos imediatamente anteriores medidos pela primeira versão do estudo. Os números, respectivamente, são 33,3% e 31,3%.
Mas a alta é apenas relativa. “Se olharmos o indicador mais próximo do que se entende por inovação, que corresponde aos números relativos à introdução de produtos novos para o mercado, essa taxa, em específico, caiu de 4,1% para 2,7%”, explica André Tosi Furtado, professor do Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), à Agência FAPESP.
Na visão do pesquisador, o refluxo da inovação também foi detectado por outros indicadores exibidos na mesma pesquisa, que contou com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). “A relação entre o dispêndio em atividades inovativas sobre a receita líquida caiu de 3,84% para 2,43%. É uma queda substancial”, diz.
A publicação do estudo foi considerada bastante positiva por existir agora a possibilidade de se ter uma visão dinâmica da inovação tecnológica no Brasil desde 1998. “O triênio 2001-2003 foi muito mais crítico em função da crise econômica que se abateu sobre o país”, lembra Furtado.
Entre as várias informações geradas pela pesquisa do IBGE, uma diz respeito de forma bastante direta às universidades brasileiras. E, mais uma vez, as notícias não são positivas. “Houve também um refluxo das empresas que estiveram envolvidas em práticas cooperativas. Esse número caiu de 2,5 mil para apenas 1,0 mil. Apesar, ou talvez por conta, dessa redução, o número de relações entre empresas e universidades ou institutos de pesquisa aumentou de importância. Essa fonte de informação se manteve em terceiro lugar”, conta o pesquisador da Unicamp.
O lado positivo para as universidades pode ser encontrado nos números relacionados a recursos humanos. Nas empresas consultadas, mais de 28 mil, a quantidade de profissionais de nível superior em tempo integral traballhando com inovação subiu de 20 mil para 21,8 mil.
“Isso indicaria que houve achatamento salarial e redução dos gastos, mas não desmobilização das equipes. Apesar de tudo, o número de pós-graduandos e graduados cresceu, o que é importante para as universidades”, diz Furtado

 

 
 
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