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Ciência e tecnologia devem ser aliadas do desenvolvimento da Amazônia, diz Flexa Ribeiro

 
 
  Fonte: Jornal da Ciência e-mail, 09/07/2009  
 
   
 
  O presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação do Senado coordenou audiência sobre o tema nesta quarta-feira

A ciência e a tecnologia podem ser os principais instrumentos na busca do desenvolvimento sustentável da Amazônia, afirmou o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), durante audiência pública sobre a região realizada nesta quarta-feira (8).

Em sua opinião, é preciso investir sobretudo na ocupação econômica de áreas já desmatadas.

- O que temos de fazer agora é levar conhecimento para aproveitar as áreas já alteradas, fazendo com que na Amazônia se possa produzir muito mais do que hoje, sem que se precise derrubar uma única árvore a mais. Temos conhecimento para isso - disse Flexa.

Um dos signatários do requerimento para a realização da audiência, o senador Renato Casagrande (PSB-ES) disse que não conseguia identificar outro modelo possível para o desenvolvimento da Amazônia, que não o de investimento em novas tecnologias. Ele considerou necessário o estabelecimento de um programa específico do governo federal para a região.

O senador Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC) sugeriu a criação de um ministério para a Amazônia, capaz de realizar a coordenação de programas atualmente dispersos para o desenvolvimento da região. Por sua vez, o senador Augusto Botelho (PT-RR) elogiou a atuação dos centros de pesquisa localizados na Amazônia, mas manifestou preocupação pelo fato de o Brasil contar com poucas patentes a respeito das riquezas da região.

O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) lamentou a "falta de recursos e de atenção" aos centros de pesquisa regionais. Ele defendeu a realização de seminários nos estados da região, com a presença de parlamentares, que ajudem a elaborar um plano de desenvolvimento para a Amazônia.

Cientistas pedem prioridade à Amazônia

Assim como dispõe de programas destinados às áreas espacial e nuclear, o Brasil também deveria contar com um amplo programa de desenvolvimento da Amazônia, recomendou nesta quarta-feira (8) a diretora do Museu Paraense Emilio Goeldi, Ima Célia Guimarães Vieira.

Na audiência pública promovida pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), ela defendeu - juntamente com quatro outros pesquisadores - a transformação da região em uma prioridade nacional.

- O Estado brasileiro investiu muito no estado de São Paulo, que por isso hoje tem esse diferencial. Isto não está acontecendo na Amazônia. Temos ações dos Ministérios de Ciência e Tecnologia, da Agricultura e da Saúde, mas não um programa integrado. Não acredito que apenas com ações setoriais vamos dar o salto de que precisamos - afirmou Ima durante a audiência, que também contou com a participação da Subcomissão da Amazônia e da Faixa de Fronteira, ligada à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).

Integrante do Conselho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Lauro Morhy considerou insuficiente o número de instituições científicas atualmente existentes na região. Em sua opinião, a Amazônia pode ser considerada "motivo de orgulho e de grande responsabilidade ambiental". E o planejamento do desenvolvimento da região deveria contar com vários ministérios, governos estaduais e setores empresariais.

Um exemplo de atuação conjunta mencionado durante a audiência foi o do estabelecimento do modelo de gestão do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), sediado em Manaus (AM). Segundo o coordenador-geral do centro, Imar César de Araújo, representantes de seis ministérios participaram de uma comissão que concluiu pela criação de uma empresa pública - a qual será feita pormeio de projeto de lei a ser enviado ao Congresso Nacional.

A falta de um modelo de gestão, lamentou Araújo, fez com que o centro ainda hoje caminhe com "passos de tartaruga". Mesmo assim, segundo informou, até o final do ano já estarão equipados 90% dos laboratórios do CBA, cujas instalações ocupam uma área de 12 mil metros quadrados. As principais áreas de atuação do centro são as de cosméticos, produtos bioterápicos, inseticidas e corantes naturais.

Araújo ressaltou a necessidade de se dar à inovação tecnológica importância semelhante à atribuída à ciência básica. O Brasil tem a 13ª posição na publicação de artigos científicos, disse ele, mas dispõe de poucas patentes sobre a Amazônia e pode ser considerado um "troglodita para transformar conhecimento em dinheiro".

O chefe-geral da Embrapa da Amazônia Oriental, Claudio José Reis de Carvalho, informou que a empresa já conta com patentes de produtos como o cupulate, à base de cupuaçu, que pode ser usado, por exemplo, na merenda escolar. Em sua opinião, é necessária a geração de tecnologias para a produção em áreas já desmatadas da Amazônia.

A diretora do Instituto Evandro Chagas, Elisabeth Conceição de Oliveira Santos, disse concordar com a afirmação de que a manutenção da floresta em pé pode gerar mais receita do que a sua derrubada. Ela pediu atenção, porém, aos pequenos produtores da região, que muitas vezes vivem em áreas isoladas e enfrentam grandes problemas de energia e transporte. "Esses habitantes vivem como heróis na floresta", disse ela.

 

 
 
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