São Carlos, Segunda-Feira, 26 de Outubro de 2020

 

 

Notícias
 
 

R$ 90 milhões para investimento em estruturas leves

 
 
  Fonte: Jornal da Ciência e-mail, 03/03/2009  
 
   
 
  Instalado no Parque Tecnológico de São José dos Campos, laboratório produzirá materiais para fabricação de aviões. Investimento é de R$ 90,45 milhões, R$ 46,2 milhões em pesquisa

Foi assinado nesta segunda-feira, 2 de março, o convênio para construção do Laboratório de Estruturas Leves, no Parque Tecnológico de São José dos Campos, em São Paulo. O laboratório será o primeiro do gênero no Brasil. Sua operação poderá começar no início do ano que vem.

O objetivo é desenvolver materiais para a estrutura das aeronaves que sejam, ao mesmo tempo, mais resistentes e leves. Estruturas leves também são aplicadas na indústria automobilística, no setor de petróleo e gás e na construção civil.

O convênio prevê o investimento de R$ 90,45 milhões para construir, equipar e operar o laboratório - R$ 44,1 milhões em infraestrutura e R$ 46,2 milhões em projetos de pesquisa. Do montante, R$ 27,6 milhões serão financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O empreendimento envolve a Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o BNDES e a Embraer, empresa-âncora do polo aeronáutico de São José dos Campos.

O laboratório será vinculado ao Centro de Integridade de Estruturas e Equipamentos do IPT, que é subordinado à Secretaria de Desenvolvimento de São Paulo.

“Investir em pesquisa é acreditar no potencial humano. Os equipamentos contarão com tecnologia de ponta para obter competitividade em nível internacional. A iniciativa será importante para ajudar a contornar a crise econômica e retomar o crescimento da indústria aeroespacial de São José dos Campos”, afirmou o secretário de Desenvolvimento de São Paulo, Geraldo Alckmin, durante a cerimônia de assinatura do convênio.

Segundo a apresentação do chefe do Laboratório de Estruturas Leves, Luiz Eduardo Lopes, a meta é começar a operação com 14 pesquisadores e técnicos no primeiro ano e chegar a 22 profissionais a partir do terceiro ano.

O diretor-presidente do IPT, João Fernando Gomes de Oliveira, informou à Agência Fapesp que o laboratório deverá entrar em operação em janeiro de 2010.

Para a instalação do laboratório, o BNDES, por meio do Fundo de Desenvolvimento Tecnológico (Funtec), financiará R$ 17,9 milhões ao IPT, R$ 7,9 milhões à Fapesp e R$ 1,8 milhão para despesas de importação. A instalação se completará com R$ 5,9 milhões do IPT, R$ 2,4 milhões da Fapesp e R$ 8,3 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, elogiou a iniciativa de aliar a composição da fibra de carbono a outros materiais na indústria aeronáutica. “Esse laboratório terá importância estratégica para o desenvolvimento do ramo aeronáutico na região”, afirmou Coutinho, segundo a Assessoria de Comunicação da Secretaria de Desenvolvimento.

Pesquisa

Os projetos de pesquisa estruturante ficarão a cargo da Embraer; do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA); do Instituto de Aeronáutica e Espaço do Centro Técnico de Aeronáutica (IAE/CTA); da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); da Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá da Universidade Estadual Paulista (FEG/Unesp); da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) e da Escola Politécnica, ambas da USP; da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI); do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN); e do próprio IPT.

Os projetos estão divididos em quatro linhas, segundo a apresentação do chefe do laboratório: Estruturas Metálicas Aeronáuticas; Estruturas Metálicas Avançadas; Desenvolvimento e Aplicação da Tecnologia de Compósitos no Desenvolvimento de Estruturas Aeronáuticas; e Desenvolvimento do Processo Tecnológico de Laminação Automatizada (FP) para Estruturas Aeronáuticas.

A Embraer entrará com o maior aporte de recursos - R$ 42 milhões. O investimento em pesquisa terá ainda R$ 1,5 milhão do IPT, R$ 2,3 milhões da Fapesp e R$ 450 mil da Finep.

Segundo a apresentação de Luiz Eduardo Lopes, os projetos da primeira linha consumirão 39,1% do orçamento para pesquisa. Os da segunda linha ficarão com 9,5%. A terceira e a quarta linhas de projetos estruturantes ficarão com 30,9% e 20,5% dos recursos, respectivamente.

Segundo a Assessoria de Comunicação da Secretaria de Desenvolvimento, o diretor-presidente do IPT disse também que os projetos estudarão o aumento na resistência dos materiais estruturais das aeronaves, permitindo maior pressão e umidade dentro da cabine, mas sem aumentar o peso da estrutura, o que proporcionará maior conforto aos passageiros. Além disso, as tecnologias desenvolvidas no laboratório terão aplicação em outras indústrias.

“Apesar de ter foco no ramo da aeronáutica, o empreendimento também será capaz de desenvolver tecnologias em aplicações na indústria automobilística e de autopeças, petróleo e gás, naval, bélica, geração e transporte de energia elétrica, construção civil e bens de capital”, afirmou Oliveira.

A base de pesquisas do laboratório será o desenvolvimento de materiais compósitos, tais como fibra de carbono em matriz polimérica. De acordo com o diretor do IPT, esses materiais aliam alto desempenho estrutural à leveza e o gasto de energia nos equipamentos é menor se comparado a materiais tradicionais.

“O desenvolvimento de estruturas leves colabora com a conservação de energia”, ponderou Oliveira.

O projeto inclui ainda duas grandes máquinas que permitirão a deposição automática, robotizada, da fibra de carbono para fabricação de peças para diversos tipos de aplicação.

O laboratório será instalado em uma planta térrea de cerca de 4 mil metros quadrados. A Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo já havia investido R$ 2,5 milhões na preparação do terreno, cedido pela prefeitura de São José dos Campos.

Parque tecnológico

O Parque Tecnológico de São José dos Campos foi criado em 2006, numa parceria entre governos, instituições de pesquisa e empresas. O arranjo produtivo do setor aeronáutico, ao qual o Laboratório de Estruturas Leves servirá, é um dos mais desenvolvidos, ao lado do arranjo do setor de energia.

Marco Antonio Raupp, presidente da SBPC, destaca a importância da formalização da entidade gestora do parque para o desenvolvimento de novos arranjos tecnológicos. Raupp esteve envolvido com o projeto do parque tecnológico desde o início, como consultor da Fapesp, e está à frente de uma das três entidades privadas candidatas a gerir o empreendimento.

Atualmente, o parque é gerido pela prefeitura de São José dos Campos. A chamada pública para a seleção da entidade gestora havia sido suspensa pela Justiça por um ano, após ação popular capitaneada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais da cidade. Segundo Raupp, porém, uma decisão em primeira instância permitirá a retomada do processo.

“O projeto de São José dos Campos é um projeto em marcha, mas ainda existem questões a serem superadas, como a criação de outros arranjos tecnológicos. A estruturação da entidade gestora é importante, pois esse tipo de iniciativa cria o ambiente adequado para a inovação tecnológica no parque”, afirmou Raupp.

 

 
 
  <-- Anterior     Próximo -->     Voltar  
 
 

 

Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico
Rodovia Washington Luís, km 235 – Caixa Postal 147
CEP: 13565-905 – São Carlos, SP
Telefone: (016) 3351-9000 Fax: (016) 3351-9008
CNPJ: 66.991.647/0001-30    I.E.: 637.148.460.118
e-mail: fai@fai.ufscar.br